Patrono da cadeira 05

JOAQUIM MATTOSO CÂMARA JUNIOR

JOAQUIM MATTOSO CÂMARA JUNIOR, filho de Joaquim Mattoso Duque Estrada Câmara (Especialista em economia política) e de Maria Paula de Castro Silva Mattoso Câmara. Cursou os estudos primários e secundários com professores particulares. Submeteu-se ao regime de exames parcelados no Colégio Pedro II. Nesse período, colaborou com poesias e traduções poéticas na Revista Social, dirigida por seu professor-orientador Jônatas Serrano. Em 1927, formou-se em Arquitetura pela Escola Nacional Belas-Artes. Concluiu o curso de Direito na Universidade do Rio de Janeiro, em 1932. Foi aprovado, por concurso público, para o cargo de desenhista da prefeitura do Rio de Janeiro, mas abandonou o ofício para dedicar-se somente ao magistério, que foi iniciado em 1928. Trabalhou, inicialmente, como professor secundário para a prefeitura do Rio de Janeiro e também para colégios particulares. A partir de 1938 iniciou a carreira de professor universitário. Lecionou Linguística e Latim na antiga Universidade do Distrito Federal. No ensino particular, trabalhou na Universidade Católica de Petrópolis, na Associação Universitária de Santa Úrsula e na Universidade Católica do Rio de Janeiro. Mattoso Câmara fez cursos de aperfeiçoamento e especialização no Brasil e no exterior. Em 1943, graças a uma bolsa de estudos concedida pela fundação Rockfeller, ele teve a oportunidade de desenvolver, com certa relevância, vários cursos de especialização em Linguística nos Estados Unidos. O linguista brasileiro matriculou-se na Universidade de Colúmbia em Nova Iorque, onde frequentou cursos de Grego, Sânscrito, línguas africanas e Linguística Comparada, este último ministrado por Jakobson. Na Escola Livre de Altos Estudos, fez o curso de Linguística Geral também ministrado por Jakobson. Teve contato com Bloomfield, considerado a maior autoridade da Linguística norte-americana da época, na Universidade de Yale. No mês de fevereiro de 1944, fez o curso intensivo de fonética experimental no laboratório da Universidade de Chicago. Em março do mesmo ano, participou de um curso sobre Geografia Linguística, em Nova Iorque, com Bonfante na Escola Livre de Altos Estudos. De volta ao Brasil, cursou doutorado em Letras Clássicas pela antiga Faculdade Nacional de Filologia da Universidade do Brasil. Em 1949, foi homenageado com o título de Doutor em Letras com a tese pioneira intitulada Para o Estudo da Fonêmica Portuguesa, a qual foi aprovada com distinção. Nos últimos anos de sua vida participou do curso de mestrado instituído pelo setor linguístico da divisão de Antropologia do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Nessa mesma instituição atuou como coordenador e professor do curso Introdução às línguas indígenas brasileiras. Mattoso Câmara ultrapassou fronteiras para levar seu conhecimento a outras partes do mundo. Lecionou na categoria de professor visitante nas universidades de Washington, Georgetown e Lisboa. Participou ativamente de diversos congressos, colóquios, institutos, seminários no Brasil e no exterior, inclusive participou de dois congressos internacionais de linguistas. A consagração mais expressiva da carreira de Mattoso foi o seu reconhecimento internacional em 1967, quando foi escolhido para ser membro do Comitê Internacional Permanente de Linguistas; ele foi o único latino-americano a se tornar membro desse comitê. A vasta produção intelectual de Mattoso Câmara representa um dos marcos mais importantes na história dos estudos linguísticos do Brasil e até mesmo na história dos estudos linguísticos do Português, ou seja, abrange o Português Brasileiro e o Europeu. Mattoso Câmara faleceu em 05 de fevereiro de 1970 e é, até hoje, um dos maiores linguistas brasileiros.

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